Haisai!
Uma mistura de falta de tempo e relaxo me fizeram ficar um tempo sem postar nada!
Só para tirar o pó do blog, vou colocar um texto que escrevi para uma amiga fazer um trabalho de faculdade!
Um pouco da identidade uchinanchu pela visão de um descendente nascido no Brasil!
Quem realmente é o uchinanchu?
Além das pessoas que nasceram na ilha de Okinawa, todos os seus descedentes são considerados okinawanos, ou uchinanchu no dialeto local, e, se não todos mas a grande maioria, carrega consigo o orgulho de ser parte da história da ilha!
Esse orgulho é chamado “Espírito Uchinanchu”, que se resume basicamente em manter viva as tradições e cultura desse lugar considerado um paraíso na terra!
Okinawa é conhecida mundialmente por suas belas praias com águas cristalinas, mas para seus filhos sua beleza vai muito além disso, com uma história rica em cultura e diversidade!
Álias, diversidade é uma palavra chave no local, pois desde tempos antigos já se mantinha uma relação de amizade com a China e outros países asiáticos, diferente do Japão que se fechou em sua própria cultura, e hoje com as bases militares americanas, que a maioria da população local é contra, mas aprendeu a conviver com isso!
O uchinanchu carrega consigo um fardo grande de não ser considerado japonês puro pelo Japão e para os estrangeiros serem simplesmente japoneses!
Essa falta de identidade pesou bastante durante a Segunda Guerra Mundial, onde a ilha se tornou palco de uma das batalhas mais sangrentas da história, a “Batalha de Okinawa”, onde morreram milhares de habitantes, tanto pelas mãos de japoneses quanto dos aliados!
Por isso manter viva sua cultura e história é uma questão de mostrar ao mundo que o okinawano tem uma identidade, independente de onde se esteja, que somos especiais sem sermos melhores do que ninguém!
Essa falta de uma identidade real aproxima o uchinanchu do brasileiro, que do mesmo modo que o Brasil, tem uma bagagem cultural bem diversificada, e por ter sofrido muito no passado é um povo acolhedor e sempre disposto a ajudar o próximo!
Mas podemos dizer também que as diferenças são muitas.
Umas das qualidades do okinawano é a absorção de várias qualidades do povos com os quais se teve contato no passsado.
Temos como exemplo a disciplina, que se obteve do povo japonês, apesar do uchinanchu ter fama de sossegado, quando se trata de trabalho, é considerado um dos povos mais sérios nesse quesito!
Um bom exemplo são os imigrantes que chegaram no Brasil há cem anos atrás.
Uma grande parte deles vieram de Okinawa, e por ser um povo mais unido e batalhador que os japoneses, eram os primeiros a serem escolhidos para trabalhar nas fazendas!
Mas uma série de mal entendidos fez com que os imigrantes de Okinawa ficassem com fama de briguentos, o que na verdade eram protestos contra preconceito e péssimas condições de higiene em algumas fazendas, o que fez com que se interrompessem a vinda de pessoas dessa província.
Uma das condições para a volta da imigração foi a criação de entidades para organizar e patrulhar os imigrantes.
Assim foi criada a primeira “Associação Okinawa do Brasil”, que até nos dias atuais são consideradas grandes famílias, onde todos se ajudam e se reúnem para se divertirem.
O respeito aos mais velhos também é uma característica muito marcante no povo uchinanchu.
Os mais jovens ouvem ou lêem sobre a história de seus antepassados, e ao tomarem conhecimento das dificuldades passadas por seus avós , que mesmo assim espalham a alegria de se viver bem a cada dia, sentem um grande orgulho de serem descendentes de pessoas tão fortes que superaram obstáculos que hoje em dia são difíceis até mesmo de se imaginar!
Okinawa tem orgulho de seus filhos, não importa aonde nasceram ou se criaram, e a maior prova disso é o “Festival Mundial uchinanchu”, que ocorre a cada cinco anos na ilha principal.
O objetivo dessa festa é reunir os descendentes de Uchina (Okinawa no dialeto local) de todas as partes do mundo, e mostrar o quanto é importante preservar a história e cultura desse povo!
A edição de 2011 teve um público recorde de quatro mil pessoas só no desfile dos participantes de outros países ( Brasil com a média de mil pessoas), fora o público local e turistas vindo do Japão.
Orgulho, respeito aos mais velhos, respeito à hierarquia, união, solidariedade, aproveitar a vida, respeitar a natureza, alegria todas essas qualidades representam as pessoas ligadas à Okinawa, os uchinanchus, e até mesmo quem não teve contato com a história de seus antepassados e costumes da região, sentem que aquele lugar é especial e esperam conhecer um dia a terra de seus avós!
“Sentir saudades de um lugar que nunca estive antes” é um sentimento comum a todo okinawano, e todos deveriam, pelo menos uma vez na vida, visitar o verdadeiro paraíso na terra!
“Somos especiais sem sermos melhores do que ninguém!”
Um blog sobre tudo,feito por quem não sabe nada!!! A blog about everything done by someone who knows nothing!!!
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sexta-feira, 25 de maio de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Documentário Begin Brasil
Haisai!
Passou essa semana na Asahi Tv o documentário sobre a visita da banda Begin no Brasil!
Como nem todos entendem o idioma japonês, eu resumi um pouco do que foi mostrado!
Parte 1
A banda foi convidada para o centenário, mas por problema de agenda não foi possível ir até o Brasil.
Após três anos a promessa foi enfim cumprida, após ouvirem diversas histórias sobre os imigrantes, o interesse cresceu mais ainda
Após o término do Uchinanchu Taikai de 2011, o presidente da AOKB (Associação Okinawa Kenjinkai do Brasil), Yonamine Shinji, fez então o convite que iria mudar suas vidas, um concerto no Brasil!
Após 33 horas de viagem, finalmente chegaram ao Brasil!
Parte 2
Do outro lado do mundo, encontraram um país muito diferente, com influência européia muito forte!
Ao visitarem o bairro da Liberdade, se sentiram em Okinawa na epóca de criança!
Um lugar que queriam visitar é o Museu da Imigração Japonesa, com várias informações de antigamente, inclusive objetos!
Uma das partes que mais gostei de ver foi uma visita a uma aula de sanshin!
Eles foram em minha cidade, Santo André, e inclusive vi muitos rostos conhecidos!
Após se surpreenderem com a preservação da cultura por jovens, foram visitar uma família, onde a matriarca é uma Oba de 109 anos!
Muito bonito o carinho demonstrado por todos eles!
Parte 3
Chegaram a Campo Grande, um lugar com muitos descendentes de uchinanchu!
Experimentaram o Okinawa Sobá brasileiro com um gosto diferente mas ao mesmo tempo familiar!
Visitaram outra família de uchinanchus, onde o patriarca chegou a mais de 50 anos, e possuí o certificado de “mestre” de sanshin, trazendo inclusive um com ele!
Foram à uma feira, onde viram entre comidas brasileiras o sobá de Okinawa, que faz sucesso entre a população!
Parte 4
Conheceram o Okinawa Kenjinkai de Campo Grande, onde se tem aula de minnyo (dança folclórica), e se sentiram numa máquina do tempo, voltando anos atrás!
Falaram sobre a importância de se preservar a língua e costumes de Okinawa, principalmente pelos mais jovens!
Visitaram depois uma família que fez a vida de tintureiro e plantando bananas!
Me emocionou a parte em que cantam a música Tinsagu nu Hana no ouvido da Oba de 103 anos que já não ouve muito bem, como agradecimento pela visita!
Ressaltaram o respeito à quem vive tanto pela família, e o quanto a família vive para cuidar de quem teve tanto carinho por eles!
Próximo post o final do documentário com o show no Anhembi!
Passou essa semana na Asahi Tv o documentário sobre a visita da banda Begin no Brasil!
Como nem todos entendem o idioma japonês, eu resumi um pouco do que foi mostrado!
Parte 1
A banda foi convidada para o centenário, mas por problema de agenda não foi possível ir até o Brasil.
Após três anos a promessa foi enfim cumprida, após ouvirem diversas histórias sobre os imigrantes, o interesse cresceu mais ainda
Após o término do Uchinanchu Taikai de 2011, o presidente da AOKB (Associação Okinawa Kenjinkai do Brasil), Yonamine Shinji, fez então o convite que iria mudar suas vidas, um concerto no Brasil!
Após 33 horas de viagem, finalmente chegaram ao Brasil!
Parte 2
Do outro lado do mundo, encontraram um país muito diferente, com influência européia muito forte!
Ao visitarem o bairro da Liberdade, se sentiram em Okinawa na epóca de criança!
Um lugar que queriam visitar é o Museu da Imigração Japonesa, com várias informações de antigamente, inclusive objetos!
Uma das partes que mais gostei de ver foi uma visita a uma aula de sanshin!
Eles foram em minha cidade, Santo André, e inclusive vi muitos rostos conhecidos!
Após se surpreenderem com a preservação da cultura por jovens, foram visitar uma família, onde a matriarca é uma Oba de 109 anos!
Muito bonito o carinho demonstrado por todos eles!
Parte 3
Chegaram a Campo Grande, um lugar com muitos descendentes de uchinanchu!
Experimentaram o Okinawa Sobá brasileiro com um gosto diferente mas ao mesmo tempo familiar!
Visitaram outra família de uchinanchus, onde o patriarca chegou a mais de 50 anos, e possuí o certificado de “mestre” de sanshin, trazendo inclusive um com ele!
Foram à uma feira, onde viram entre comidas brasileiras o sobá de Okinawa, que faz sucesso entre a população!
Parte 4
Conheceram o Okinawa Kenjinkai de Campo Grande, onde se tem aula de minnyo (dança folclórica), e se sentiram numa máquina do tempo, voltando anos atrás!
Falaram sobre a importância de se preservar a língua e costumes de Okinawa, principalmente pelos mais jovens!
Visitaram depois uma família que fez a vida de tintureiro e plantando bananas!
Me emocionou a parte em que cantam a música Tinsagu nu Hana no ouvido da Oba de 103 anos que já não ouve muito bem, como agradecimento pela visita!
Ressaltaram o respeito à quem vive tanto pela família, e o quanto a família vive para cuidar de quem teve tanto carinho por eles!
Próximo post o final do documentário com o show no Anhembi!
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Local:
Brasil
sábado, 12 de novembro de 2011
Ínicio e fim
Haisai
Última parte de minha aventura em Okinawa, dessa vez falarei sobre a
capital da província, Naha!
Ao pôr os pés na cidade, minha primeira impressão foi a de estar de
volta ao Brasil, tamanha à semelhança entre Naha com São Paulo!
Começando pelos prédios, feitos de concreto e não de “papel” como costumamos dizer das construções do Japão, pelo fato de Okinawa todo ano sofrer com vários tufões, com ventos muito fortes, que seriam sériamente danificados se forem feitos com material mais frágil, e a distância das placas tectônicas japonesas, que tornam a possibilidade de terremotos bem abaixo da média nipônica!
O clima também é “brasileiro”, sendo quente no verão e não muito frio no inverno, com temperaturas de 15ºC em média (muito acima da média do inverno japônes).
Eu, particularmente, achei o trânsito meio bagunçado, com cruzamentos difíceis de entender e motoristas imprudentes, a maioria formada por turistas japoneses, que por não conhecer bem o lugar tornam a tarefa de dirigir um verdadeiro desafio!
A principal rota é a famosa Rota 58, que corta a ilha principal de Okinawa de ponta a ponta (foi por ela que fui de Naha até Itoman), sendo inclusive tema de vários presentes e imagens relacionadas à província (tem um grupo chamado Karyushi 58, inspirado nessa avenida)!
Rota 58
O cenário da cidade se divide entre prédios e o porto de Naha, principal
ligação do antigo Reino de Ryukyu com a China, Coréia e Japão.
Entre os vários prédios que eu vi, destaco o Naha Cellular Stadium e um restaurante em cima de uma árvore (?).
Hein???
O principal ponto turístico é o Castelo de Shuri, do qual já falei alguns
posts atrás, sendo muito procurado pelos visitantes.
Um dos problemas para quem se desloca de carro em Naha é a falta de
estacionamento nos lugares (restaurantes, lojas de conveniência, lojas etc), o
que torna quase obrigatório o uso dos estacionamentos pagos. Talvez por isso o
transporte público é muito utilizado, como ônibus e o famoso monorail, algo
como monotrilho, além da bicicleta e caminhada.
Monotrilho
A estrutura e a organização da cidade se torna ainda mais impressionante
se soubermos que durante a Segunda Guerra Mundial, o centro de Naha foi
completamente destruído, precisando ser totalmente reerguido pelo seus
moradores e governo!
E assim termina minha viagem para Okinawa, do mesmo ponto em que
começou, na capital da província!
Foi realmente um prazer estar em Uchina pela primeira vez e tenho
certeza de que voltarei para esse lugar lindo!
Deixei Okinawa não com um “adeus” e sim com um “até logo”!
Bye
domingo, 6 de novembro de 2011
Origens
Haisai!
Meu passeio por Okinawa foi marcado por uma viagem inesquecível na terra
natal de meus antepassados!
A cidade de Itoman (糸満市) localizada ao Sul de Naha, com uma população de aproximadamente 56 mil habitantes (dados de 2010), fundada no dia primeiro de dezembro de 1971, com sua economia baseada principalmente na pesca é uma típica cidade de interior, aconchegante e com um povo acolhedor.
Uma de suas atrações turísticas mais famosas é
a “Cornerstone of peace”, algo como a “pedra angular da paz”, localizada no
Museu Memorial da Paz, onde se encontra escrito o nome de todas as pessoas que
morreram durante a batalha de Okinawa, okinawanos, aliados e a parte do eixo do
mal, não fazendo separação de quem foram “bons” ou “mals”, simplesmente uma
oração para as almas daqueles que perderam suas vidas.
Também nesse local se encontra o “Penhasco do suicídio”, onde devidos aos terríveis rumores do que poderiam ser feitos aos perdedores da guerra, muitas famílias se lançaram para a morte nesse penhasco!
Pedras com os nomes
Cornerstone of Peace
Fugindo um pouco das atrações tristes, também
vale a pena visitar o mercado de peixes da cidade.
Com uma variedade enorme de peixes, o preço baixo surpreende pela diferença com o que estamos acostumados a pagar aqui no Japão!
A tranquilidade da cidade reflete diretamente em seus moradores, acostumados com estrangeiros são todos bem simpáticos e gentis.
O bairro onde moram meus parentes, não tão distantes agora, fica em um local afastado do centro, com várias residências perto uma das outras, e assim como no Brasil todos os moradores se conhecem.
O terreno é muito grande, composto por lugares vazios sem nenhuma construção e casas de parentes também.
Uma vista da cidade
Demos uma passada na escola em que minha Oba
estudou no passado, cerca de 20 minutos de carro ( e ela fazia esse trajeto a
pé todos os dias!), que apesar de ser domingo, tinha gente treinando futebol
por lá!
Recebi do sobrinho da minha Oba (que deve ser
só um pouco mais novo que ela) um conjunto de documentos que representa a “árvore
genealógica” da família, datada de 1400 até os dias de hoje!
Minha missão é listar a parte brasileiro dessa
árvore, com o nome e dados de todos os familiares à partir de minha Oba.
Pelo que eu pude ver ( e entender) desses documentos, o topo da árvore vem diretamente da linhagem dos reis do Reino de Ryukyu, o que significa que, mesmo distante, tenho uma relação com a nobreza de Okinawa!
Como meu tempo era curto, nem pude aproveitar muito a visita pela cidade, o que é uma pena pois tenho certeza de que teria muito o que conversar com as pessoas de lá (apesar de eles misturarem muito o japonês com o uchinaguchi).
Mas como agora tenho um trabalho a cumprir, é certeza que voltarei lá para aprender mais sobre a história da família e costumes locais!
Próximo post será sobre Naha e o final de minha viagem em Okinawa!
Bye
Nota
Se localiza em Itoman também uma caverna que é considerada o ponto final
da Segunda Guerra, onde um grupo de estudantes treinadas para serem
enfermeiras, com o medo dos estupros por parte dos americanos e japoneses se
escondiam em cavernas, e em uma dessas cavernas foi jogada uma granada por
parte dos militares americanos, que deixou somente cinco sobreviventes de um
grupo de quarenta e cinco mulheres.
Em homenagem à essas pessoas foi erguido o “Monumento Himeyuri”.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Uma volta ao passado
Haisai!
Aproveitando minha ida para o Festival Uchinanchu, claro que eu fui
fazer um turismo por Okinawa!
O primeiro lugar que visitei foi o Castelo de Shuri (首里城), em Naha.
Ao chegar no local, que fica no topo de um morro, a primeira dificuldade foi encontrar um lugar para estacionar (falarei depois sobre o trânsito e a arquitetura de Naha), o número de carros e ônibus circulando pelas ruas era enorme!
Achado um local dentro de uma caverna (!), segui para o castelo!
Garoava fraco, nada que um guarda chuva não resolvesse, e na entrada do castelo haviam duas moças com o tradicional quimono de Okinawa para tirar fotos com os turistas!
Adentrando o portão principal (Shureimon) a sensação de se voltar ao passado é evidente pela paisagem, com uma escadaria e muros que parecem cenário de filme!
Shureimon
Algo bastante agradável de se ver é a presença de uma grande área verde,
com uma variedade de plantas enorme, que misturada com a arquitetura antiga me
surpreendeu pela impressão de que antigamente não era muito diferente!
A caminhada até o castelo é marcada por construções semi-destruídas e algumas intactas!
O valor pago para se entrar na área do castelo é de 800 ienes (mais ou
menos dezesseis reais), com direito a um panfleto com explicações sobre a
história do lugar!
O pátio principal é dividido em três partes, Hokuden (lado norte),
Seiden (centro) e Nanden (lado sul), onde cada área contém um prédio.
No lado direito de quem entra, a arquitetura do prédio é baseada em construções japonesas, pois essa é a direção do Japão em relação a Okinawa, que era usada para receber autoridades japonesas, e ao lado esquerdo o estilo é baseado na arquitetura chinesa, pois essa é a direção da China, que da mesma forma servia para se receber autoridades chinesas!
Hokuden
Na parte central se encontra o glorioso Castelo de Shuri, a maior
construção de madeira existente em Okinawa, que foi a moradia da família real
de toda a Disnatia Ryukyu!
Castelo de Shuri
Entre artigos antigos e lojinhas de presente, vale destacar uma réplica
da coroa e do selo real e o trono do rei Ryukyu, que é muito bonito mesmo não
sendo o original.
Coroa Real
Selo Real
Trono Dinastia Ryukyu
Existem também maquetes mostrando como eram as cerimônias no castelo.
Maquete representando a cerimônia de ano novo
Um fato interessante é que quando a cúpula do G8 (grupo dos países mais
ricos do mundo) se reuniu em Okinawa,em julho de 2000, foi dado um banquete no
salão principal, com a presença dos chefes de estado mais importantes da época,
como Bill Clinton (EUA), Tony Blair (Inglaterra) e o então primeiro ministro
japonês, Mori Yoshiro.
O cuidado com a preservação do castelo é tão grande, que o percurso da parte de dentro é feita com os pés descalços, portanto ao visitarem o Shuri Castle lembrem-se de estarem com meias sem furos!
Realmente visitar o castelo foi um acerto muito grande na minha passagem por Okinawa, pois ao contrário do famoso aquário (ChuraUmi, que outro dia vou visitar com certeza), tem um valor histórico muito importante para quem quer aprender um pouco mais sobre a cultura okinawana!
Quem tiver a oportunidade de ir até lá, aproveitem o máximo de cada pedacinho de terra que pisar, pois a sensação de se estar em um lugar tão rico em história é maravilhoso!
Próximo post:
Minha visão de Naha e visita a terra natal da família!
Nota: O castelo foi reconstruído diversas vezes ao longo dos séculos, a
última reconstrução foi logo após a Batalha de Okinawa, na Segunda Guerra
Mundial, onde foi parcialmente arrasado pelos bombardeios!
Nota 2: Muitas das construções presentes na área do castelo são Patrimônios Históricos da Humanidade reconhecidos pela UNESCO .
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Okaerinasai
Haisai!!!
Nessa semana falarei sobre as atrações que assisti no Uchinanchu Taikai!
Eu cheguei em Okinawa na sexta feira, segundo dia do Festival, portanto não assisti ao desfile de abertura, que foi realizado na Kokusai Dori, em Naha!
Haviam dois palcos diferentes no local, um fora do estádio e um dentro do estádio, o de fora era destinado às atrações “secundárias”, e no meio do campo de beisebol, um palco gigantesco destinado para as principais atrações!
No palco menor se apresentavam artistas locais e aspirantes a cantores!
Entre vários que eu pude ver, gostei bastante dos cantores mais pop, que misturam elementos clássicos da musica de Okinawa com um som mais moderno!
Já no palco principal, muitas surpresas aguardavam quem foi assistir aos shows!
Assim que eu entrei, havia uma apresentação que misturava teatro e
música, com elementos clássicos da vida antigamente na ilha!
Logo após uma família, composta por duas irmãs e a mãe, cantando o famoso “minnyo” de Okinawa, e músicas famosas como “Nada sou sou”, “Asadoya yunta” entre outros!
Um grupo de Okinawa Eisa foi a próxima atração, eu particularmente gostei muito dessa apresentação, o som do Taiko de Okinawa sempre mexeu muito comigo, e ver crianças tocando esse instrumento com tanta vontade, embaixo de uma garoa bem chata, foi muito algo muito gratificante de se ver!
Após as primeiras músicas, todas com um som épico, entrou uma banda completa, com direito a guitarra, baixo e backing vocals.
Começaram com um jazz básico, e terminaram com “Smoke on the water” do Deep Purple!
Passado o som pesado, novamente entrou o grupo de Eisa junto com a dupla
D-51 para finalizar a sexta feira!
No sábado de manhã fui visitar o Castelo de Shuri, que fica para o
próximo post, e depois voltei ao Cellular Stadium para ver o festival!
Sem novidades pela parte da manhã, o mesmo grupo de Eisa Taiko se apresentou a tarde, só que dessa vez trouxeram um legítimo Shisa para dançar junto a platéia!
Shisa junto ao público
E a grande surpresa do festival!
Festa Latina!
Houve apresentação de Samba, Salsa e a única parte que eu assisti (sinceramente eu não fui para Okinawa para ver carnaval!), a apresentação do grupo peruano Diamantes!
Conduzido pela voz forte de Alberto Shiroma, o grupo animou a pláteia e as apresentadoras ( Patty Arakaki e Carolina Horikawa, peruanas que dançam muito bem!),sob o ritmo de Okinawa mesclado com a animação latina!
Apresentadoras da Festa Latina
Realmente a cerimônia de encerramento no domingo foi o ápice da festa, com a
presença de
Miyazawa Kazufumi (vocal do The Boom) e do Begin!
Miyazawa Kazufumi (vocal do The Boom) e do Begin!
Mas como meu avião de volta foi marcado para as seis e meia, não pude acompanhar o melhor, além do local estar completamente lotado!
Mas realmente foi muito gratificante estar lá e poder acompanhar a festa!
Um fato interessante e que me marcou muito foi o fato de todos os cantores ao chegar no palco saudarem o público com o um “Okaerinasai”, em vez do tradicional Bem vindo, o que deu realmente a sensação de estar de volta em casa!
Semana que vem Castelo de Shuri, cidade natal e algumas coisas mais!
Bye
Notas:
Minnyo é a música tradicional, tanto de Okinawa quanto do Japão.
Okaerinasai é uma saudação dita quando alguém retorna para casa.
As fotos do palco ficaram ruins por que foram tiradas de longe.
Fonte: Fotos de Alberto Shiroma e das apresentadoras tiradas do Nippon notícias
domingo, 16 de outubro de 2011
Ichariba Choode
Uchinanchu Taikai (parte 1)
Infelizmente não deu tempo de escrever nem postar nada em Okinawa, a
correria e a vontade de fazer tudo, acabei sem tempo de abrir o computador!
Bom vamos ao que interessa!
Sinceramente não há palavras para descrever o que se sente ao chegar
aqui, são várias emoções juntas em um só sentimento: o de estar de volta em
lugar em que nunca se esteve.
Complicado? Talvez seja um pouco, então tentarei explicar do modo como eu me sinto!
A primeira coisa que temos dificuldade em uma viagem é sempre a adaptação ao lugar,mas pelo menos para mim, eu já cheguei “adaptado” em Okinawa!
Céu de Okinawa
Ao chegar no aeroporto da cidade de Naha, a primeira coisa que se ve é o
mar!
Mas não é um mar qualquer, é um mar limpo e cristalino, que faria inveja aos melhores filmes sobre praias!
Como era época do Uchinanchu Taikai, logo na entrada havia uma bandeira como o logo do evento e bem vindos em várias línguas!
O meu pacote incluía um carro alugado, então fui de carro até meu hotel
e depois fui ao Naha Cellular Stadium, um estádio de beisebol enorme, com
capacidade para 15 mil pessoas, inteiramente decorado para a festa!
Naha Cellular Stadium
Ao chegar lá, me senti em uma festa do meu kaikan no Brasil, todas as
pessoas me pareceram familiares, como conhecidos que se encontram pela primeira
vez!
“Conhecidos que se encontram pela primeira vez”?
Sim, esse é um sentimento que os uchinanchus chamam de “Ichariba choode” (イチャリバ チョーデ), que significa algo como “ao nos encontrarmos, somos irmãos”, que mesmos nunca termos nos encontrados somos todos filhos de Uchina, e para sentir isso, basta se se aproximar uns dos outros!
E uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi a diversidade encontrada lá, por exemplo, haviam mestiços de todas as nações, desde negros altos (muito altos,alías!), até loiros de olhos claros.
Isso fez com que meu orgulho em ser descendente de okinawanos crescesse
mais ainda, pois não há preconceito com cor, país de origem, língua nem classe
social!
Os participantes tinham idades que iam de crianças de colo até idosos de idade avançada vindo de várias partes do mundo!
Um fato interessante foi ver senhoras falando um inglês perfeito, de dar inveja mesmo, sendo que se eu fosse conversar com elas, iria obviamente falar em nihongo!
E também haviam várias barracas com diversos tipos de alimentos, desde pastéis do Brasil até o Kebab (turco creio eu!).
E vários voluntários trabalhando duro para deixar tudo bem organizado, e
mais uma vez a diversidade prevaleceu, com pessoas falando português, inglês,
espanhol entre outras línguas!
Bom, essa foi minha primeira impressão de Okinawa e do evento!
Nos próximos post falarei sobre as atrações que vi (incluindo um show de samba (?), eisa taiko, Diamantes entre outros, além da minha viagem para a cidade natal da minha obá, uma descoberta interessante sobre minha relação com a nobreza do reino de Ryukyu (!) e a minha visita ao castelo de Shuri!
Consegui reunir material para vários posts, então acho que por um tempo o assunto do blog será mesmo o Festival Mundial Uchinanchu!
Até o próximo post!
Bye
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