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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Um novo futuro?


Haisai!!!

Depois de quase dois anos decidi reativar o Nankurunaisa!

Desde a última postagem eu fui para Uchina duas vezes, então achei que tinha assunto suficiente para voltar a escrever sobre lá!

No post de retorno eu trago uma notícia, que pode ser boa ou má, depende do ponto de vista de cada um.

A província de Okinawa elegeu seu novo governador, Takeshi Onaga de 64 anos, o ex-prefeito da capital Naha derrotou três oponentes, incluindo o atual governador Hirokazu Nakaima.



                                          
 Takeshi Onaga (foto:Asahi Shimbun)

A vitória de Onaga em cima de Nakaima representa uma grande golpe no governo do primeiro-ministro Shinzo Abe, já que o atual governador tinha o apoio do Partido Liberal Democrático (LPD) de Abe.


 

Primeiro-ministro Shinzo Abe
                          
Mas o que torna mais interessante a vitória de Onaga é o seu posicionamento em relação a base militar americana na cidade de Futenma.

Para todos que conhecem a história recente de Okinawa sabem o que a presença de bases militares representa para a população.

Para quem não sabe vou dar um breve resumo.

Após a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, Okinawa se tornou território americano, inclusive com algumas cidades sendo chamadas igual aos estados, a ilha de Ishigaki por exemplo era chamada de Califórnia.

Após muitas discussões e acordos, em 15 de maio de 1972, Okinawa foi devolvida ao Japão e recebeu o status de província, tornando-se oficialmente Okinawa-ken (沖縄県).

Mesmo tendo sido anexada ao Japão, por ser considerado um local estratégico em caso de guerra, bases americanas foram deixadas na ilha, com uma população hoje em dia de mais de 25 mil pessoas, entre soldados e suas famílias.

A presença das bases não representa o maior problema para a população de Uchina, os soldados são considerados um caso a parte.
Bagunça, brigas, arruaças e até mesmo estupros foram  registrados com bastante frequência vindo dos americanos.
Por esses motivos uma boa parte da população é radicalmente contra a permanência das bases na ilha.


                                                        
 Protesto de moradores
("Okinawa decidiu: Sem nova base em Futenma, fora!")            

 

Mensagem escrita em muro
("Não voem sobre nossa cidade! Helicópteros dos E.U.A. fora agora!)

A principal base, em Futenma, se localiza no centro da cidade de Ginowan, o que gera reclamações por parte dos moradores em relação ao barulho e a possibilidade de acidentes em um local com uma grande concentração de moradores.


Base Futenma (foto: Japantimes)

O governo japonês e a administração da ilha entraram em um acordo de recolocação da base, para uma área menos povoada no litoral de Nago.
O acordo não foi satisfatório para a população, que exige a extinção da base e a saida dos soldados, muito em parte pelas cicatrizes ainda doloridas da Segunda Guerra.


            Panfletos contra a permanência das bases
                                                              
Muitas manifestações são vistas todos os anos exigindo a saída da base, tendo adesão inclusive de vários políticos contrários ao atual governo.

Só resta agora aos moradores de Okinawa esperarem para ver se as promessas serão cumpridas ou, ao menos, acordos mais satisfatórios fechados.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Traquinagens


Haisai!

Vivendo nas florestas, pregando peças em humanos, cabelo vermelho, corpo de moleque...

Com essas características, eu poderia muito bem estar falando sobre o Curupira brasileiro, mas como não citei os pés virados para trás estou me referindo à lenda das matas de Okinawa: o Kijimuna!



                       
                        Kijimuna


Também conhecido como Bungaya (ser da cabeça larga), é o mais conhecido personagem do folclore de Okinawa, sendo inclusive tema de um grande evento que ocorre na ilha, o Kijimuna Festa!

Aparentando ser um garoto de cinco anos com longos cabelos avermelhados, o Kijimuna é conhecido por viver nas grandiosas árvores de Banyan, serem grandes pescadores e principalmente gostar de uma traquinagem!


                  Logo da festa de 2011

Um dos truques conhecidos é quando ele sobe em cima do peito da pessoa, impedindo ela de respirar ou mesmo gritar, fenômeno que em japônes é conhecido como “kanashibari”.

Diz-se que transformado em uma bola de fogo voando entre as matas, cortando caminho por entre as árvores, o Kijimuna pode se deslocar facilmente para cercar os humanos que o desafiarem!

Apreciadores da pescaria, são conhecidos por pescarem e comerem somente um olho do peixe, abandonando o resto no chão.

Ao se tornarem amigo de um ser humano, pode torná-lo rico e próspero, mas ao ser contrariado pode ser muito malvado também.
Contam-se muitas histórias de homens que foram ajudados por essas criaturas, como por exemplo, serem carregados em suas costas para atravessarem uma floresta, mas ao soltar um “pum”, o Kijimuna fica tão nervoso que larga a pessoa onde quer que esteja e desaparece, deixando-o perdido para sempre!

Na maioria dos contos, a amizade com humanos começa muito bem, mas por ganância ou relaxo destes, o final é sempre de brigas e mal-entendidos!

A única maneira de se espantar um Kijimuna é ameaçá-lo com a coisa que ele mais odeia nesse mundo, um polvo, que se jogado em sua frente, faz o mesmo entrar em pânico e fugir para nunca mais aparecer.


                    "Eca!!!"
             
Histórias sobre essa figura do folclore uchinanchu são contadas de geração para geração e nunca morrem, sempre se renovando a cada ouvido que escuta as traquinagens do Kijimuna!

Portanto, ao visitar Okinawa, respeite sempre a natureza e, se um molequinho de cabelos vermelhos quiser ser seu amigo, tome muito cuidado com sua ganância e puns!!!

Bye

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Hoshisuna ~A origem das Estrelas de Areia~


“Imagine estar ao lado da pessoa que se gosta andando na beira da praia!
E nessa praia beirando um mar limpo e cristalino, o som das ondas batendo na areia, no céu a lua cheia ilumina todo o horizonte!
E como um reflexo da abóbada celeste, no chão se pode observar estrelas de areia que cobrem todo o caminho, formando um cenário inesquecível em nossas mentes!”

Haisai!

A cena acima poderia estar em um desenho animado ou em um livro de romance fictício, mas esse lugar existe, e fica em Okinawa!

Reza a lenda que a muito tempo atrás, o Deus da Estrela Polar e a Deusa do Cruzeiro do Sul resolveram formar uma família com muitos filhos para iluminar o céu!
Ao consultarem o Deus Celestial sobre o melhor lugar para dar a luz, este olhou por todo o território terrestre e ao ver a ilha de Taketomi, avistou no mar um belo recife de corais e disse:

“-Ao sul da ilha de Taketomi existe um lugar onde as ondas do mar são suaves e sua água é morna, lá é o melhor lugar para dar a luz às suas belas crianças!”

Sem questionar a palavra do Deus Celestial, a Deusa do Cruzeiro do Sul desceu até o mar de corais e, ao comprovar a maravilha daquelas águas, pensou:

“-Sim, este é o lugar perfeito para minhas filhas crescerem até poderem subir aos céus para se juntarem a mim e juntas, iluminarmos as noites para sempre!”

Mas o governante dos mares, o Deus Sete Dragões do mar, não gostou da atitude da Deusa em dar a luz em seu território sem pedir permissão e, ao seu ver, poluir as águas que ele protege com tanto esforço!

Como castigo para tal desrespeito, chamou a Grande Serpente do mar e ordenou que ela fosse até a ilha e matasse todas as estrelinhas que encontrasse em seu caminho!
Obediente à seu mestre, a Serpente se dirigiu à ilha e, como lhe foi ordenado, matou a mordidas todas as inocentes estrelas que flutuavam nas águas mornas de Taketomi!

Seus corpos boiaram na água até chegarem na beira da praia, onde ficaram salpicadas de areia!

Ao sul da ilha de Taketomi, em Higashimaki, existe um Utaki (santuário em louvor ao Deus protetor da região), onde mora uma Deusa menor que, ao ver os pequenos corpos se comoveu intensamente com o trágico destino daquelas pobres criaturas!

Como todo ano os aldeões celebravam um festival em sua homenagem, a Deusa teve a idéia de por os restos mortais das estrelinha em seu incensário para que, junto com a fumaça, elas pudessem finalmente se juntar aos seus pais no reino celeste!

Todo ano ocorre esse festival e assim, pouco à pouco, as estrelinhas sobem aos céus para iluminarem a Terra com seu brilho puro e inocente!






 E essa é a história contada de geração para geração sobre a origem das Hoshizunas, as Estrelas de Areia, que encantam turistas de todos os lugares do mundo com sua beleza e mistérios naturais que somente uma lenda pode explicar sua origem!


            Lembrancinha vendida em Okinawa

Bye!

Fonte:  Vários sites continham a mesma história, então fiz um resumo dos textos!
Foto: Cortesia da Emi-chan!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Documentário Begin Brasil

Haisai!

Passou essa semana na Asahi Tv o documentário sobre a visita da banda Begin no Brasil!

Como nem todos entendem o idioma japonês, eu resumi um pouco do que foi mostrado!

Parte 1





A banda foi convidada para o centenário, mas por problema de agenda não foi possível ir até o Brasil.

Após três anos a promessa foi enfim cumprida, após ouvirem diversas histórias sobre os imigrantes, o interesse cresceu mais ainda

Após o término do Uchinanchu Taikai de 2011, o presidente da AOKB (Associação Okinawa Kenjinkai do Brasil), Yonamine Shinji, fez então o convite que iria mudar suas vidas, um concerto no Brasil!

Após 33 horas de viagem, finalmente chegaram ao Brasil!

Parte 2




Do outro lado do mundo, encontraram um país muito diferente, com influência européia muito forte!

Ao visitarem o bairro da Liberdade, se sentiram em Okinawa na epóca de criança!

Um lugar que queriam visitar é o Museu da Imigração Japonesa, com várias informações de antigamente, inclusive objetos!

Uma das partes que mais gostei de ver foi uma visita a uma aula de sanshin!

Eles foram em minha cidade, Santo André, e inclusive vi muitos rostos conhecidos!

Após se surpreenderem com a preservação da cultura por jovens, foram visitar uma família, onde a matriarca é uma Oba de 109 anos!

Muito bonito o carinho demonstrado por todos eles!

Parte 3






Chegaram a Campo Grande, um lugar com muitos descendentes de uchinanchu!

Experimentaram o Okinawa Sobá brasileiro com um gosto diferente mas ao mesmo tempo familiar!

Visitaram outra família de uchinanchus, onde o patriarca chegou a mais de 50 anos, e possuí o certificado de “mestre” de sanshin, trazendo inclusive um com ele!

Foram à uma feira, onde viram entre comidas brasileiras o sobá de Okinawa, que faz sucesso entre a população!


Parte 4






Conheceram o Okinawa Kenjinkai de Campo Grande, onde se tem aula de minnyo (dança folclórica), e se sentiram numa máquina do tempo, voltando anos atrás!

Falaram sobre a importância de se preservar a língua e costumes de Okinawa, principalmente pelos mais jovens!

Visitaram depois uma família que fez a vida de tintureiro e plantando bananas!

Me emocionou a parte em que cantam a música Tinsagu nu Hana no ouvido da Oba de 103 anos que já não ouve muito bem, como agradecimento pela visita!

Ressaltaram o respeito à quem vive tanto pela família, e o quanto a família vive para cuidar de quem teve tanto carinho por eles!

Próximo post o final do documentário com o show no Anhembi!


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Vida longa à Okinawa


Haisai

Primeiramente Feliz Ano novo (atrasado por sinal), que tudo dê certo nesse ano de 2012 e que todos os nossos desejos se realizem!

Vamos ao primeiro post do ano!

Um dos fato mais conhecidos do povo Uchinanchu é sua longevidade, sendo muito comum encontrar habitantes com mais de cem anos, em sua maioria com uma lucidez invejável à muitos jovens, ainda trabalhando em lavouras e lojas por todo o território de Okinawa!

Um estudo comprovou que na ilha há 50 centenários para cada 100 mil pessoas, sendo que a média para países desenvolvidos é de cerca de 10 a 20 centenários para cada 100 mil.

A expectativa de vida em Okinawa é a maior do mundo, tanto para homens quanto para mulheres, chegando a 82 anos em média, contra 78 no Japão.

Além de atingirem idades avançadas os okinawanos têm os menores índices de doenças cardíacas e outras mais graves como câncer, diabetes etc.

Por isso dizem que a fonte da juventude se encontra no coração e na alegria do Uchinanchu!



       
                     Alegria, imagem do uchinanchu


Mas qual o segredo para se ter uma vida tão longa?

“Aos 70 anos é uma apenas uma criança, aos 80 ainda um adolescente e, aos 90, se os seus ancestrais o convidarem a juntar-se à eles no paraíso, diga-lhes que esperem até os 100 anos, idade em que reconsiderará a questão.” –antiga inscrição encontrada em uma rocha próxima de uma praia em Uchina!

Os fatores atribuídos à longevidade dos uchinanchus seriam, a alimentação saudável e balanceada, o estilo de vida adotados pela ilha além do fator genético!

No cardápio okinawano encontramos uma variedade muito grande de verduras e legumes, além de frutos do mar e muitas frutas.

Estima-se que um uchinanchu consome apenas 25 por cento do sal e açúcar de uma pessoa de outra região por refeição, duas vezes mais peixe e três vezes mais vegetais, além de terem o hábito de parar de comer quando se estão cerca de 80% satisfeitos!

E temos também o “embaixador da culinária de Okinawa”, o amargo Goya!


                                Goya

Muito famoso entre os uchinanchus e seus descendentes, o Goya é um vegetal típico de Okinawa, tendo como principal característica seu gosto amargo, sendo o terror de muitas crianças (confesso, eu odiava Goya quando era mais novo),mas que contém muitas vitaminas e trazendo diversos benefícios à saúde!

O prato mais conhecido de Okinawa é com certeza o Goya Champuru, uma espécie de “salada” de Goya (Champuru em uchinaguchi significa mistura), com tofu, carne de porco, ovos, grãos de soja e é claro, Goya!
                            Goya champuru

Eu recomendo ir à um restaurante okinawano para experimentar os pratos típicos de lá, que apesar de não serem baratos, são muito bons!

Outro fator decisivo é o estilo de vida levado pelos uchinanchus!

Levando ao pé da letra o “Nutidu Takara”, o modo de se viver sem estresse, respeitando os idosos, sempre vendo o lado bom da vida, ajuda (e muito) à se ter uma vida longa!






Acumular bons momentos de vida é a chave não somente para se viver mais, mas também para se aproveitar ela por completo!

Então por mais que a vida esteja complicada, lembre-se sempre:

Nankurunaisa!

sábado, 12 de novembro de 2011

Ínicio e fim


Haisai

Última parte de minha aventura em Okinawa, dessa vez falarei sobre a capital da província, Naha!

Ao pôr os pés na cidade, minha primeira impressão foi a de estar de volta ao Brasil, tamanha à semelhança entre Naha com São Paulo!

Começando pelos prédios, feitos de concreto e não de “papel” como costumamos dizer das construções do Japão, pelo fato de Okinawa todo ano sofrer com vários tufões, com ventos muito fortes, que seriam sériamente danificados se forem feitos com material mais frágil, e a distância das placas tectônicas japonesas, que tornam a possibilidade de terremotos bem abaixo da média nipônica!

O clima também é “brasileiro”, sendo quente no verão e não muito frio no inverno, com temperaturas de 15ºC  em média (muito acima da média do inverno japônes).

Eu, particularmente, achei o trânsito meio bagunçado, com cruzamentos difíceis de entender e motoristas imprudentes, a maioria formada por turistas japoneses, que por não conhecer bem o lugar tornam a tarefa de dirigir um verdadeiro desafio!

A principal rota é a famosa Rota 58, que corta a ilha principal de Okinawa de ponta a ponta (foi por ela que fui de Naha até Itoman), sendo inclusive tema de vários presentes e imagens relacionadas à província (tem um grupo chamado Karyushi 58, inspirado nessa avenida)!



                        Rota 58


O cenário da cidade se divide entre prédios e o porto de Naha, principal ligação do antigo Reino de Ryukyu com a China, Coréia e Japão.

Entre os vários prédios que eu vi, destaco o Naha Cellular Stadium e um restaurante em cima de uma árvore (?).


                     
                         Hein???

O principal ponto turístico é o Castelo de Shuri, do qual já falei alguns posts atrás, sendo muito procurado pelos visitantes.


Um dos problemas para quem se desloca de carro em Naha é a falta de estacionamento nos lugares (restaurantes, lojas de conveniência, lojas etc), o que torna quase obrigatório o uso dos estacionamentos pagos. Talvez por isso o transporte público é muito utilizado, como ônibus e o famoso monorail, algo como monotrilho, além da bicicleta e caminhada.



                        Monotrilho


A estrutura e a organização da cidade se torna ainda mais impressionante se soubermos que durante a Segunda Guerra Mundial, o centro de Naha foi completamente destruído, precisando ser totalmente reerguido pelo seus moradores e governo!

E assim termina minha viagem para Okinawa, do mesmo ponto em que começou, na capital da província!
Foi realmente um prazer estar em Uchina pela primeira vez e tenho certeza de que voltarei  para esse lugar lindo!

Deixei Okinawa não com um “adeus” e sim com um “até logo”!

Bye

domingo, 6 de novembro de 2011

Origens


Haisai!


Meu passeio por Okinawa foi marcado por uma viagem inesquecível na terra natal de meus antepassados!

A cidade de Itoman (糸満市) localizada ao Sul de Naha, com uma população de aproximadamente 56 mil habitantes (dados de 2010), fundada no dia primeiro de dezembro de 1971, com sua economia baseada principalmente na pesca é uma típica cidade de interior, aconchegante e com um povo acolhedor.


 
Uma de suas atrações turísticas mais famosas é a “Cornerstone of peace”, algo como a “pedra angular da paz”, localizada no Museu Memorial da Paz, onde se encontra escrito o nome de todas as pessoas que morreram durante a batalha de Okinawa, okinawanos, aliados e a parte do eixo do mal, não fazendo separação de quem foram “bons” ou “mals”, simplesmente uma oração para as almas daqueles que perderam suas vidas.

Também nesse local se encontra o “Penhasco do suicídio”, onde devidos aos terríveis rumores do que poderiam ser feitos aos perdedores da guerra, muitas famílias se lançaram para a morte nesse penhasco!


                     
                  Pedras com os nomes


                  Cornerstone of Peace

Fugindo um pouco das atrações tristes, também vale a pena visitar o mercado de peixes da cidade.

Com uma variedade enorme de peixes, o preço baixo surpreende pela diferença com o que estamos acostumados a pagar aqui no Japão!

A tranquilidade da cidade reflete diretamente em seus moradores, acostumados com estrangeiros são todos bem simpáticos e gentis.

O bairro onde moram meus parentes, não tão distantes agora, fica em um local afastado do centro, com várias residências perto uma das outras, e assim como no Brasil todos os moradores se conhecem.

O terreno é muito grande, composto por lugares vazios sem nenhuma construção e casas de parentes também.


                    Uma vista da cidade


 Demos uma passada na escola em que minha Oba estudou no passado, cerca de 20 minutos de carro ( e ela fazia esse trajeto a pé todos os dias!), que apesar de ser domingo, tinha gente treinando futebol por lá!
 
Recebi do sobrinho da minha Oba (que deve ser só um pouco mais novo que ela) um conjunto de documentos que representa a “árvore genealógica” da família, datada de 1400 até os dias de hoje!
Minha missão é listar a parte brasileiro dessa árvore, com o nome e dados de todos os familiares à partir de minha Oba.

Pelo que eu pude ver ( e entender) desses documentos, o topo da árvore vem diretamente da linhagem dos reis do Reino de Ryukyu, o que significa que, mesmo distante, tenho uma relação com a nobreza de Okinawa!

Como meu tempo era curto, nem pude aproveitar muito a visita pela cidade, o que é uma pena pois tenho certeza de que teria muito o que conversar com as pessoas de lá (apesar de eles misturarem muito o japonês com o uchinaguchi).

Mas como agora tenho um trabalho a cumprir, é certeza que voltarei lá para aprender mais sobre a história da família e costumes locais!

Próximo post será sobre Naha e o final de minha viagem em Okinawa!

Bye


Nota

Se localiza em Itoman também uma caverna que é considerada o ponto final da Segunda Guerra, onde um grupo de estudantes treinadas para serem enfermeiras, com o medo dos estupros por parte dos americanos e japoneses se escondiam em cavernas, e em uma dessas cavernas foi jogada uma granada por parte dos militares americanos, que deixou somente cinco sobreviventes de um grupo de quarenta e cinco mulheres.

Em homenagem à essas pessoas foi erguido o “Monumento Himeyuri”.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Uma volta ao passado


Haisai!
Aproveitando minha ida para o Festival Uchinanchu, claro que eu fui fazer um turismo por Okinawa!

O primeiro lugar que visitei foi o Castelo de Shuri (首里城), em Naha.

Ao chegar no local, que fica no topo de um morro, a primeira dificuldade foi encontrar um lugar para estacionar (falarei depois sobre o trânsito e a arquitetura de Naha), o número de carros e ônibus circulando pelas ruas era enorme!

Achado um local dentro de uma caverna (!), segui para o castelo!

Garoava fraco, nada que um guarda chuva não resolvesse, e na entrada do castelo haviam duas moças com o tradicional quimono de Okinawa para tirar fotos com os turistas!

Adentrando o portão principal (Shureimon) a sensação de se voltar ao passado é evidente pela paisagem, com uma escadaria e muros que parecem cenário de filme!
                        Shureimon
Algo bastante agradável de se ver é a presença de uma grande área verde, com uma variedade de plantas enorme, que misturada com a arquitetura antiga me surpreendeu pela impressão de que antigamente não era muito diferente!

A caminhada até o castelo é marcada por construções semi-destruídas e algumas intactas!


O valor pago para se entrar na área do castelo é de 800 ienes (mais ou menos dezesseis reais), com direito a um panfleto com explicações sobre a história do lugar!


O pátio principal é dividido em três partes, Hokuden (lado norte), Seiden (centro) e Nanden (lado sul), onde cada área contém um prédio.

No lado direito de quem entra, a arquitetura do prédio é baseada em construções japonesas, pois essa é a direção do Japão em relação a Okinawa, que era usada para receber autoridades japonesas, e ao lado esquerdo o estilo é baseado na arquitetura chinesa, pois essa é a direção da China, que da mesma forma servia para se receber autoridades chinesas!

                          Nanden

                      Hokuden
Na parte central se encontra o glorioso Castelo de Shuri, a maior construção de madeira existente em Okinawa, que foi a moradia da família real de toda a Disnatia Ryukyu!
                     Castelo de Shuri
Entre artigos antigos e lojinhas de presente, vale destacar uma réplica da coroa e do selo real e o trono do rei Ryukyu, que é muito bonito mesmo não sendo o original.

                          Coroa Real

                         Selo Real


               Trono Dinastia Ryukyu

Existem também maquetes mostrando como eram as cerimônias no castelo.

        Maquete representando a cerimônia de ano novo


Um fato interessante é que quando a cúpula do G8 (grupo dos países mais ricos do mundo) se reuniu em Okinawa,em julho de 2000, foi dado um banquete no salão principal, com a presença dos chefes de estado mais importantes da época, como Bill Clinton (EUA), Tony Blair (Inglaterra) e o então primeiro ministro japonês, Mori Yoshiro.

O cuidado com a preservação do castelo é tão grande, que o percurso da parte de dentro é feita com os pés descalços, portanto ao visitarem o Shuri Castle lembrem-se de estarem com meias sem furos!

Realmente visitar o castelo foi um acerto muito grande na minha passagem por Okinawa, pois ao contrário do famoso aquário (ChuraUmi, que outro dia vou visitar com certeza), tem um valor histórico muito importante para quem quer aprender um pouco mais sobre a cultura okinawana!

Quem tiver a oportunidade de ir até lá, aproveitem o máximo de cada pedacinho de terra que pisar, pois a sensação de se estar em um lugar tão rico em história é maravilhoso!

Próximo post: 

Minha visão de Naha e visita a terra natal da família!

Nota: O castelo foi reconstruído diversas vezes ao longo dos séculos, a última reconstrução foi logo após a Batalha de Okinawa, na Segunda Guerra Mundial, onde foi parcialmente arrasado pelos bombardeios!

Nota 2: Muitas das construções presentes na área do castelo são Patrimônios Históricos da Humanidade reconhecidos pela UNESCO .

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Iya sa sa

Quase todas as músicas que evocam Uchina tem um grito característico,o “Iya sa sa”, que simplesmente não tem uma tradução específica, seria uma maneira de expressar a alegria de cantar, dançar ou mesmo se divertir!

O som do Sanshin e do Okinawa Taiko também marcam uma presença muito forte nas canções, que geralmente exaltam as belezas naturais e riquezas culturais da ilha!

Eu, particularmente, me emociono muito ao ouvir uma música que tem características de Okinawa, sentindo lágrimas virem aos olhos, misturando sentimentos de saudade e admiração!

Palavras em uchinaguchi também são muito usadas, principalmente as mais conhecidas, como “nankurunaisa”, “nutidutakara”, “Uchina” entre outros, o que faz com que essas canções se tornem únicas e lindas de se ouvirem!

E não só em Okinawa, como em todo o mundo, os “filhos de Okinawa” manifestam o orgulho de sua terra natal (mesmo os que não nasceram lá!).

Temos como exemplo no Brasil o Tontomi, criada na Grande São Paulo, o grupo Diamantes no Peru, Claudia Oshiro juntamente com Alfredo Casero na Argentina, entre vários grupos de Okinawa Eisa espalhados pelos diversos Okinawa Kenjinkais do mundo inteiro!

Eu creio que a música mais conhecida sobre Okinawa no mundo inteiro é “Shima Uta”島歌,do grupo The Boom, composta pelo vocalista Miyazawa Kazufumi, que apesar de não ser uchinanchu, após conhecer Okinawa e sua história, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, se apaixonou pelo local e seu povo!

A seguir farei uma lista de banda e músicas que eu gosto e que falam sobre Okinawa, é uma lista de meu gosto, portanto se alguém tiver uma música ou banda para sugerir eu ficarei muito agradecido!

The Boom: Shimauta
HY: Toki wo koe
Kiroro: Best friend (que apesar de não ser sobre Okinawa, foi tema do dorama “Churasan”, que se passa em Uchina!)
Diamantes: Dushintya tibariyo
Ryukyu Yamato (琉球大和): Nankurunaisa~Heiwa no negai
Orange Range: Kizuna
Natsukawa Rimi: Nada sou sou
Begin: Shimanchu nu takara, Kariyushi no yoru, ojii jiman no Orion biru, Sanshin no hana entre outros!

domingo, 18 de setembro de 2011

A vida é um tesouro


O que é?

Você sentir saudades de um lugar que nunca foi antes...
Sentir falta de coisas que nunca viu de perto...
Achar familiar pessoas que nunca encontrou antes...
Achar palavras como “Makai” “gatimaya”,”mensore” e Tibariyo” normais...
Se emocionar ao ouvir o som de um Taiko...
Sentir lágrimas virem aos olhos ao ouvir um sanshin...
Ter orgulho ao falar que sua família vem de uma ilha que mesmo fazendo parte de um país é um mundo a parte...
Saber que o paraíso existe e você pertence à ele...
Ter o conhecimento de que a história de seus antepassados é tão rico e interessante com milhares de anos de cultura e riqueza...
Sentir o céu como teto, as estrelas como luz, o chão como solo, o sol como energia e todos os elementos da natureza como fonte de poder...
Saber que se é especial sem ser melhor que ninguém...
Isso tudo resume um sentimento, um estado de espírito...
Isso tudo é ser UCHINANCHU!!!

Nankurunaisa!

Notas:
1. "A vida é um tesouro" , 「命ドゥ宝」「ヌ千ドゥタカラ」em Okinawa「いのちこそたから」no Japão é uma frase que representa o modo alegre dos okinawanos de se viver!

2. Uchinanchu é todo okinawano, não importa se nascido na ilha ou se é descendente de okinawanos. Sabe-se que Okinawa tem orgulho de todos os seus filhos não importa onde estejam!

3. "Nankurunaisa"「 なんくるないさ」, "Não importa quantas dificuldades você encontre no caminho, no final tudo dará certo!" frase que representa o espírito de Okinawa!